Porquê que não morri
Quando tive para morrer?
Quando me estava a esvanecer
Sobrevivi...
Quem sou eu?
De onde és tu?
Sou do mundo
E o mundo é um todo só meu
E teu...
Sou o passado
Cansado
A saudade dolorosa, inquieta
Que do meu peito se afugenta
O amor não correspondido, gozado
Que pela dor
Me fez indolor
E hoje, que sou?
Um ser vagabundo, sujo, imundo...
Um pedaço de gente despedaçado, acabado,
Uma alma jogada num contentor de misérias...
Eu sou... simplesmente...
O que ainda não fui e o que vou sendo
Eu sou...
O que serei,
E sobre isso nada sei.
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