Cada um tem o seu mar. Pode não ser aquele que nos viunascer e crescer, mas sim, aquele que adotamos como nosso e fazemos dele onosso refúgio e a nossa casa. E porquê? Porque como dizem: '' A nossa terra éonde está o nosso coração.’ ‘. Às vezes, andamos uma boa parte da nossa vida àderiva em busca de um lugar para chamar de nosso, para começarmos ali umahistória de vida e não há jeito nem maneira de nos sentirmos em casa. Mas o queé isso de casa?! Porque se for paredes e teto encontramos isso em qualquerpedaço do mundo. A nossa casa é a comida acabada de fazer pela nossa mãe, ocheiro da terra, os vizinhos, a escola da nossa infância, os amigos do Liceu,as saídas à noite durante a nossa adolescência, os segredos da nossa meninice,os romances de conto de fadas que desenhámos e planeámos ao mais ínfimopormenor, o céu que nos cobre, o vento que nos sopra aos ouvidos, o frio danossa terra, o calor que nos aquece a alma, as manhãs e os pores de sol vistosda nossa janela, a terra que nos suporta e o mar que nos rodeia... A isso dá-seo nome de casa, de nossa casa. Mesmo que não seja aquela casa que nos viu daros primeiros passos, mas, aquela para onde conseguimos transportar essasmemórias todas, arrumá-las devidamente, acarinhá-las e senti-las tão presentese vivas como se tivéssemos ao lado delas. Nem sempre se consegue fazer isso,por uma simples e única razão, para chamarmos uma terra como nossa é precisoque a terra nos adote também e que os corações batam ao mesmo ritmo. E quandoisso não acontece... cai-nos o mundo das mãos e a única solução é voltar ànossa casa, verdadeiro lar e aí descobrimos que tínhamos tudo o que semprequisemos tão perto de nós, ao alcance da nossa mão, mas foi necessário darmosmeia-volta ao mundo para chegarmos a essa conclusão, ao nosso ponto deequilíbrio.
Seja lá adecisão que tenhas de tomar, não receies. O tempo de partir, de chegar e depermanecer já está determinado. Não temas. Finge que não dói, enxuga aslágrimas, põe o teu melhor sorriso e vai!
Parte se tiveres de partir mesmoque o coração fique (vai ficar muitas vezes), regressa se não tiveres outraescolha e fica enquanto te for permitido. E se não der certo, não te castigues,acertas na próxima. Nós nunca voltamos sem nada na algibeira, apenas podemos regressarao ponto de partida, mas trazemos experiências, conhecimento, maturidade, umavisão mais nítida sobre o que nos rodeia, histórias e memórias e, aindatrazemos, mais firmeza, menos ingenuidade e inocência. Crescemos. Isso vaiacontecer, tenhamos 20, 30, 40, 50 ou 60 anos... é inevitável. Às vezes,choraremos como uma criança desprotegida, outras, faremos birras depré-adolescente e teremos firmeza e verdade na voz como alguém adulto epreparado para as tempestades da vida. Mas a verdade é que ninguém estásuficientemente preparado para nada na vida, cada nova etapa da nossa vida teráadversidades que nos farão repensar no que temos que fazer e não poderemosdesistir. E nós não vamos desistir com certeza!