Caderno de rascunhos

Este blog foi escrito de 2016 a 2018 antes de migrar para o Sapo Blogs. Hoje em dia, funciona como um caderno de rascunhos e memórias. Antes, chamou-se ''Ponto de Encontro''.

Era uma vez...

Era uma vez, um simples e solitário homem que era vistocomo pequeno, ignorante, vagabundo e inútil.
Não que não fosse inteligente e não quisesse trabalhar,mas não tinha meios nem condições para desenvolver os seus ideais, para sermais do que era naquele momento, por isso, os demais ao seu redor odesprezavam. Cansado de engolir tanto desprezo e ser humilhado calado, o homemlevantou-se e caminhou, caminhou, caminhou descalço sem nada nos bolsos,somente com a roupa que lhe cobria o corpo até encontrar um lugar onde pudesseviver.
Ao longo dessa caminhada, ele encontrou várias pessoas,umas boas, outras nem tanto. Fez amizades que perduraram, outras que poucoduraram. Também fez as suas inimizades e teve os seus conflitos, mas conheceuoutro mundo, outra gente, descobriu novas formas de viver, conheceu adiferença. Aprendeu que nem tudo tem de ser feito da mesma forma, do mesmométodo, que nem tudo tem a mesma cor e o mesmo jeito e ser pessoa quer dizermuita coisa. E que o que está certo para ele pode estar errado para o outro aoseu lado.
Quando o homem encontrou o dito lugar, começou adesenvolver as suas qualidades, a realizar os seus sonhos, a construir os seusprojetos, a ter as suas conquistas e alguma riqueza, mas, apesar disso, elenunca perdeu a humildade pois nunca se esqueceu do sitio de onde saiu, da suacasa, das suas raízes.
Um dia, mais maduro e experiente, ele regressou à suaterra, da mesma maneira como saiu: caminhando. Pelo caminho ele conheceu maispessoas, coisas diferentes, fez novos amigos, aprendeu novas coisas...comoaconteceu quando partiu da primeira vez.
Ao chegar à sua terra, o tempo tinha passado, as ruasestavam diferentes, os edifícios tinham sofrido modificações, as pessoas tinhamenvelhecido, havia novas crianças e pessoas que ele não conhecera.
O homem deu uma volta e reconheceu alguns lugares etambém reencontrou algumas pessoas que o tinham desprezado. E, rapidamente,percebeu pelos olhares e conversas entre as pessoas que o espírito delascontinuava igual. Era como se o tempo tivesse estagnado no próprio tempo, amentalidade era a mesma: pequena, mesquinha, tacanha. Posto isto, sem demorasdecidiu partir novamente porque ele descobriu algo essencial.
Ele descobriu que ele não era uma pessoa perfeita, nãosabia tudo, também tinha magoado e julgado outras pessoas, também tinha dificuldadese também precisava de ajuda e tinha problemas e culpa em algumas situações,mas, às vezes o lugar onde estamos não é o certo para nós. Às vezes, o lugaronde estamos tem mais dificuldades e menos condições do que nós próprios e poressa razão temos de partir em busca de algo diferente. Não significa que tem deser melhor ou maior, mas sim, tem de ser diferente. Embora triste por ver que asua terra ainda não conhecia o que ele conheceu, ele partiu e desta vez paranunca mais voltar. Ele precisava de mais. Ele precisava do mundo, da diferença,das cores das pessoas de todas as raças. Ele sentia necessidade de trabalhar,de inovar, de descobrir, de vida.
Assim foi pelos caminhos da vida. Se caiu? Imensas vezes,mas levantou-se sempre. Se errou? Sem dúvida! Mas corrigiu-se. Se teve momentosde solidão? Alguns, mas sempre encontrou companhia. Se se deparou com tristeza,sofrimento e conflito? Sim, mas sempre deu a volta. Se teve menos dinheiro doque aquele que poderia ter tido na sua terra se se tivesse acomodado? Talvez,mas teve o suficiente para viver a sua vida da forma que ele escolheu, porisso, foi feliz e não há maior riqueza do que a felicidade.

Parte da nossa felicidade é feita só por nós.
O que importa é viver a vida. Se chorámos ou se rimos, se fomossolitários, se sofremos mais, se caímos pelo meio, não importa. Se no fim fezsentido e fomos felizes, o resto não importa.

Não tenham medo de partir ao encontro de algo que vocês acreditem!Vão! Voem! Não escutem o mundo. Escutem o vosso coração. Não desistem.

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