Olá, pessoal.
Antes de começar, quero esclarecer quando digo ''rico e pobre'', não estou a desvalorizar nem a criticar ninguém. Eu concordo e apoio que cada um deve viver de acordo com a sua realidade, sem se sentir mal pelos outros. E aqueles que ainda não tiveram essa possibilidade, não significa que nunca vão conseguir. Claro que vão conseguir tudo o que sonham! E... lembremos que há ricos e ricos e pobres e pobres.
Como vocês sabem, eu estoude férias. Por isso, tenho sido questionada por várias pessoas: ‘’para ondevais de férias?’’ , eu? Eu só deixei de ir trabalhar. Não vou a lado nenhum.Não quero que me interpretem mal, mas nunca entendi a necessidade que aspessoas têm de ir de férias. Eu quero conhecer o mundo, outras culturas, tomarconhecimento, viajar para outros países ou no meu país, claro que quero. Mas,nunca senti a necessidade de sair de férias para um lugar ou país diferentepara mudar de ares. As pessoas pobres quando têm férias ficam onde estão porquenão têm possibilidades de sair e não morrem por isso, porquê que as pessoasricas ou com mais possibilidades morrem de tédio por passar as férias por casa?Porque têm dinheiro e dão-se a esse luxo e fazem muito bem. Não estou a julgar.Porém, são duas realidades bem diferentes. Se o rico tem depressão ou stress,põe baixa e vai de férias para qualquer lugar, vai ao psicológo mais conhecido,se o pobre tem depressão ou stress, não pode pôr baixa porque tem contas parapagar, quando tem férias fica em casa para poupar o gasóleo e guardar o últimoordenado que recebeu até então (é verdade), se precisa/quer ir ao psicológo ouconsultar-se com outro médico, avalia minunciosamente o que cobra o seu planode saúde ou acaba por esquecer qualquer problema e encara a vida mesmo assim. Pessoal,eu não estou a gozar, mas as pessoas com menos possibilidades que não se podemdar ao luxo de mudar de ares, de cometer uma extravangância ou de recorrer anão sei o quê sempre que algo corre mal, saberão do que falo. O pobre não temtempo nem dinheiro para se sentir desconfortável com alguma coisa. É encararmesmo assim! Se dói, a gente não ouve a dor. Se estamos mal, pomo-nos logo bonsquando vemos o saldo da conta porque não há outro remédio. Um dia, tencionocorrer o mundo e eu vou fazê-lo. Mas, por agora ainda sou pobre ainda quetrabalhe só para mim, tenho maiores prioridades do que sentir necessidade de irde férias para qualquer lugar. E, sinceramente eu penso que quando eu tiveressa possibilidade, não serei assim: ‘’estou mal com a vida, vou viajar.’’. Estarestendida numa praia paradisíaca ou a passear pelas ruas dum belo país é estarmal com a vida?! Digam-me o que é estar bem, por favor! Quando eu viajar nãoserá por estar mal com a vida ou porque precisarei de mudar de ares, muitomenos, será pelas selfies para postar no Facebook, mas sim, porque estarei bemcom a minha vida, onde estou e com tudo aquilo que tenho e quero conhecer o queestá a seguir de mim. Falo do Facebook porque há muitas pessoas que viajam, viajam, tiram fotografias aqui e ali e depois nem sabem qual estátua ou o museu que aparece atrás. Isso é comédia! Não se precisa de ser um Ás em cultura geral, mas convém ler um pouco sobre o país, cidade ou região a visitar para não se morrer tolo e ignorante. Viajar só para se gabar que fomos aqui, ali, acolá... que futilidade! Se algum dia, precisar de mudar de ares porque não estoubem onde estou, não vou de férias, mudo-me de vez. Pois, se eu não me sintoconfortável onde estou não é um mês de férias que mudará isso. Algo maiorprecisa de ser mudado, a começar por nós. Quando tenho um dia mau, comochocolates e enfio-me na cama, por exemplo. Não estou a dizer que nunca cometiou que não cometo uma extravagância porque toda a gente o faz, de vez em quando.Mas não sei. Eu não me estou a ver a ir não sei pra onde, só porque estou deférias ou porque tenho dinheiro. Essa não sou eu. Antes disso, pretendo obteroutras coisas. Eu penso assim. Além disso, quando puder fazê-lo de fato, levareios meus pais a fazer uma viagem se quiserem para onde desejarem… depois, asseguintes, irei para onde, como e com quem quiser. Por agora, dou-me aos pequenose simples luxos que a minha vida me permite: acordo mais tarde, ponho leiturasem dia, vejo os meus programas de TV preferidos que, habitualmente, não vejo,vou à piscina, estendo-me ao sol aqui no pátio de cá de casa e passo mais tempocom o meu burguês e com os meus pais. Mesmo quando puder usufruir das minhasférias para conhecer o mundo, acho que a melhor forma de passa-las será sempreesta de agora e quando me perguntaram como passei este tempo de repouso eu respondereitoda feliz: fui (todos os dias) para a piscina. Porquê toda feliz? Porque é oque eu faço desde os 13 anos. Quanto àspessoas, que podem mudar de destino sempre que desejam ou sempre que sentem quenecessitam, eu fico feliz por elas, ainda bem que podem e apoio completamente, pois se têm esse luxo não é pelos os outros que não podem que não o farão. Se podem, façam-no! Mas eu pergunto: se quem não pode dar-se a esse luxo, pelo menos com tanta frequência, encara a vida e não morre, por carga d'água é que os outros morrerão em terra? Contudo, eu não as invejo nemcobiço o que têm para mim. Não seiporquê… talvez porque ‘’ para viajar basta existir’’ e eu sinto que viajotodos os dias, desde o momento que acordo ao que me deito.