Eu olho o mundo pela minha janela e vejo-o a vender-sepor milhares de ‘’coisas’’, mas são milhares de ‘’coisas’’ vazias, ocas, semconteúdo, sem matéria… essas ‘’coisas’’ chamam-se carros, roupas, marcas,sapatos, malas, joias, objetos, casas, cómodos… isso tudo faz parte de umaimagem. Uma imagem que se quer ter para impressionar, cativar, conquistar,enganar, iludir, induzir em erro. Uma imagem que é exigida, disfarçadamenteimposta pela sociedade, pelo mundo que nos rodeia porque faz parte de mil e umrequisitos que uma pessoa tem de ter, deve ter, é obrigada a ter para entregaraqui, ali, acolá. É como se a imagem detetasse o carácter de alguém. Aliás, oque é ser pessoa, hoje em dia? É ser imagem. A sociedade vive numa corridafrenética à imagem, à melhor imagem para obter o melhor lugar, a melhor casa, omelhor carro, as melhores roupas das melhores marcas, o melhor posto detrabalho, a melhor poltrona, a melhor secretária…
As pessoas andam aos tombos uma com as outras, aosempurrões, aos puxões de cabelos para chegar primeiro, para ter o melhor lugarporque cada um tem mais, merece mais, tem um papel a mais. E isto, e aquilo…ninguém pode ter mais do que eles, se tiver, tem de ser justificado, escrito,atestado, explicado… e tudo porquê? Pela maldita imagem!
E, vejam só o que uma secretária, uma cadeira, um postode trabalho novos, uma casa grande, um bom carro e, meia dúzia de outras‘’futilidadezinhas’’ fazem: empinam o nariz, levantam o pescoço, reviram osolhos, olham por cima do nariz, falam ‘’politiquês’’, endireitam as costas (atélhes doer a espinal medula) e, andam em linha reta sem reconhecer ninguém,porque trabalha-se ali, acolá e o patamar é outro. E que patamar! O patamar datolice, da parvoíce, da futilidade e muitos mais ‘’íces’’. Três palmadas emcriança e, uma carga diária consideravelmente pesada em adulto e acabava-se ospatamares, os altos níveis que passeiam e deixam o cheiro a podre por ondepassam. Mas, infelizmente, não há trabalho pesado para quem merece e o talcanudo não deixa. Que canudo é esse… Senhor! Que livra tanta gente da merecidalida. E o que é que vale? A imagem.
Podem passar fome, podem passar frio e sede… podem sermiseravelmente infelizes e insatisfeitos com as suas vidas, podem não saber aponta de um corno, mas o que é que tem?!
O que importa é a imagem que a sociedade vê, a roupa quea sociedade admira, a casa, o carro que a sociedade cobiça… a feliz relação queos outros e as outras invejam! Que importa que se viva como cães e gatos, quese agridem, que se traem? O que importa é o que se vê! Assim pensa a sociedade,mas eu não sou a sociedade. Eu sou eu. Uma pessoa. E, sinceramente, eu prefiropessoas do que imagens. Eu prefiro uma casa pequena com tudo o que eu gosto. Euprefiro uma roupa que me caia bem e que me faça sentir bem.
Eu prefiro obter só aquilo que eu possa comprar, obastante para me satisfazer e não passar fome, frio, sede porque gastei o quetinha.
Eu prefiro as pessoas com conteúdo, com matéria, comconhecimento, pessoas cheias de sentimentos bons.
Se essas pessoas de quem eu gosto trabalham atrás de umbalcão, a servir às mesas, a varrer a via pública, a limpar casas… então sãopessoas reais e admiráveis!
Eu vim da pobreza, por isso sou rica. A felicidade épobre, mas adormece de barriga cheia. As pessoas perguntam-me por que andosempre tão feliz, então... eu não tenho riqueza nenhuma pela qual me chatear,eu não sei identificar marcas, não sei discutir sobre dinheiro, o aspeto e omaterialismo passam-me ao lado, gosto das coisas bonitas e simples do mundo eacho a vida linda…
A imagem de alguém está na capacidade de desempenhar bemo seu trabalho, na capacidade de ser sincero e humilde. Ter uma boaapresentação, estar em condições (roupa adequada, limpo, etc..) o mínimo que épedido, claro. Mas não é uma imagem que faz uma pessoa.
Antes de serem uma imagem, tentem ser alguém. É bom.
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