Eu penso que aspessoas têm de parar de julgar que os outros ao seu redor não têm uma vida,histórias, amores, amizades, experiências, conhecimento, vontade própria,interesse, segredos, um passado e um presente.
Não somos só nósque temos, os outros também têm. O que pode acontecer, é que às vezes, não partilhamosos mesmos gostos, o mesmo estilo, o mesmo ritmo de vida, as mesmas histórias,os mesmos interesses, os mesmos segredos, o mesmo passado e o mesmo presente.Mas toda a gente tem uma vida, embora haja pessoas que vivam mais a vida alheiado que a sua própria vida, mas isso é um aparte pouco importante. Exceto isso,todas as pessoas têm coisas para contar, coisas para dizer, coisas paraexplicar, coisas para partilhar, coisas para fazer, sonhos para concretizar,momentos para recordar e um passado do qual sentem saudades e erros pelos quais se arrependem. Por que não? Faz parte de ser pessoa.
E, porquê que estoua escrever sobre isso? Porque normalmente as pessoas (quando digo pessoas,estou a incluir-me também porque nunca se pode dizer nunca, por isso, me incluo),têm a tendência de olhar para os outros como se eles nunca tivessem feito nada,não soubessem nada, como se nunca tivessem tido as suas experiências…basicamente, é como se os outros fossem uns coitados porque parecem solitários,porque parecem mais pobres, mais frágeis, porque não aparentam nada de especial. E, depois fazem o favor de ser amigo, de fazer companhia e etc.
Pois bem, não háexperiência mais dura e educativa do que a solidão, não há riqueza maior do quea pobreza porque essa nos enrijece o ser, nos prepara para a vida e faz com sejamos felizes com pouco e é nos momentos mais frágeis da nossa vida que conseguimos encontrara nossa maior força e não há nada mais genuíno do que não se parecer com nada.Parecermos connosco próprios e com aquilo que gostamos, com o nosso estilo devida, com os nossos sonhos e ideais e com aquilo que acreditamos é a melhoraparência que podemos ter. E, quanto aos favores, faz parte da vida, sermos uns para outros, mas não no sentido de dar esmola. Ninguém vira santo por ajudar assim como ninguém se livra do inferno por seguir a vida religiosa. Nós contribuímos para a melhora do mundo, estamos a fazer a nossa parte sem obrigação. Só isso.
Tudo o que escrevoé baseado nas minhas experiências de vida e, como já mostrei aqui, eu gosto dasminhas coisas e da minha solidão, no sentido, de estar na minha própriacompanhia. Como se diz, é preciso saber ser sozinho para estar acompanhado. Eu não me escondo do mundo, mas não sinto necessidade de estar nomeio da multidão nem rodeada de pessoas a toda a hora. Há pessoas que sim. Eurespeito. Mas eu não sou dessas pessoas. No entanto, algumas vezes durante aminha vida, senti olhares de pessoas e li na expressão delas que estavam apensar que eu estava ali perdida, não fazia ideia do que era a vida, como se eununca a tivesse experimentado… como se eu não vivesse, como se eu existisseapenas. Essas pessoas devem ter vidas horríveis pois quando nós olhamos para osoutros como se fossem nada, nós não somos nada.
Mas é irónico…porque eu vejo muitas pessoas a querer ajudar outras, mas eu não as vejo aajudar sem-abrigos, vítimas de violência, refugiados… eu vejo-as a fugir deles.Porquê?! As pessoas que precisam mais de ajuda, deixa-se de lado, haverá quemajude… claro. É só para a fotografia de boa ação do dia. Eu não tenho vergonhade dizer que já conheci a solidão de perto, mas nessa altura, ninguém tevepaciência, tempo nem disponibilidade para estar comigo…todos sentiram muito pormim, mas ninguém, ou quase ninguém teve disponibilidade para mim. E, diga-se de passagem, a maioria dos poucos que tiveramfoi só para os aplausos e para uma imagem barata de bom samaritano.
Pois, por detrás, eu era a piada do dia ou a ''despreparada''. Eu sei mas faço de conta que não percebo nada. Mantermo-nos em silêncio, é a forma mais eficaz de dizer tudo o que se pretende. Não é que medevessem alguma coisa, mas tanta lamentação para tão pouca presença…sempre que me deparo com alguma situação de necessidade ou de solidão, se eu posso ajudar ou fazer alguma coisa direta ou indiretamente para ajudar, corro o mundo. Senão, sou sensível às situações mas também não estou a fazer comentários de caridade falsificada. Se não quero ajudar, vou à minha vida e acabou a conversa.
Pois, por detrás, eu era a piada do dia ou a ''despreparada''. Eu sei mas faço de conta que não percebo nada. Mantermo-nos em silêncio, é a forma mais eficaz de dizer tudo o que se pretende. Não é que medevessem alguma coisa, mas tanta lamentação para tão pouca presença…sempre que me deparo com alguma situação de necessidade ou de solidão, se eu posso ajudar ou fazer alguma coisa direta ou indiretamente para ajudar, corro o mundo. Senão, sou sensível às situações mas também não estou a fazer comentários de caridade falsificada. Se não quero ajudar, vou à minha vida e acabou a conversa.
No entanto, nemmesmo nessa altura, deixei de ser alguém, de ter uma vida, histórias, amores,amizades, experiências, conhecimento, vontade própria, interesse, segredos, umpassado e um presente. Porque toda a gente tem, nem que seja um de cada. Todosnós temos. E, não somos nada nem ninguéns para olharmos para os outros como seeles não fossem nada. Eu aprendi que, desde que tenhamos um teto, comida namesa, uma fonte de rendimento… estamos bem. Temos ferramentas para fazer oresto. E, independente do que seja, todos nós somos alguém e todos temos umavida e todos já passámos por momentos maus em que parecemos umas crianças desprotegidas e a nossa única vontade era desaparecer do mapa.Se ainda não aconteceu, acontecerá, pois ninguém morre sem provar um pouco de tudo antes. Mas isso não nos dá o direito nem a ninguém de considerar o outro como nada e não invalida que as pessoas não se ergam e se regenerem.
Ninguém é hoje o que foi ontem nem ninguém será amanhã e o que é hoje.
Somos todos pessoas, temos todos uma vida e todos temos a nossa história para contar, escrever ou apenas guardar.
Ninguém é hoje o que foi ontem nem ninguém será amanhã e o que é hoje.
Somos todos pessoas, temos todos uma vida e todos temos a nossa história para contar, escrever ou apenas guardar.